INCLUIR
SEM RESSALTAR A DIFERENÇA
CRIANÇA
É CRIANÇA. PRECISA BRINCAR SE DIVERTIR E APRENDER, SEJA ESPECIAL OU NÃO.
Para receber uma criança com necessidades especiais na
escola infantil, é necessário que o professor acredite que a inclusão é um
direito do aluno. Não se pode pensar que aceitar uma criança com necessidades
especiais seja caridade. "Se queremos que os cidadãos sejam pessoas sem
preconceito, temos de trabalhar essa nova concepção desde a tenra idade. A
escola infantil é um ótimo lugar para começarmos a operar as mudanças",
afirma Priscila Pereira Boy, mestre em educação, consultora educacional e
autora do livro Inquietações e Desafios da Escola.
De acordo com o tipo de deficiência, é preciso pensar em
alguns cuidados específicos, na garantida aceitação da criança, no cuidado para
que ela seja respeitada por todos e na segurança. Priscila exemplifica:
"Os portadores de deficiência visual precisam de um ambiente não perigoso,
como quando há móveis no meio das passagens, escadas sem corrimão ou sinalizações. Crianças com deficiências
motoras ou cadeirantes requerem ambientes que garantam acessibilidade: nada de
escadarias ;e rampas muito íngremes ou de difícil acesso".
Já os portadores de Síndrome de Down ou outras
deficiências mentais requerem atenção especial quanto à comunicação e à
cobrança das regras e normas. Os alunos com deficiência auditiva deverão ter um
lugar privilegiado, visando à visualização do professor, dos livros que estão
sendo mostrados, etc. "É necessário também explicar todas as regras antes
das atividades acontecerem, pois os deficientes auditivos fazem muitas coisas
por imitação sem entender direito o que está acontecendo. As LIBRAS também enriquecem
a comunicação dos surdos", ressalta Priscila.
. O ambiente escolar é o mesmo para todos,
porém, muitas vezes, o que garante a inclusão e a igualdade de oportunidades é
exatamente um tratamento diferenciado. Descrever uma gravura para uma criança
com deficiência visual enquanto se conta uma história é uma forma de incluí-la.
Nomear objetos várias vezes para alguém com síndrome de Down é fundamental para
ampliar seu vocabulário, uma vez que muitos têm comprometimento na fala e um
universo cultural mais restrito.
As crianças de até 3 anos, geralmente, não
têm o esquema corporal totalmente elaborado e ainda estão se apropriando da
linguagem oral. "Com isso, as dificuldades das outras crianças são pouco
notadas. Elas não têm percepção suficiente para notar estas diferenças e
caracterizá-las como dificuldades. Também somamos a isso o fato de que ainda
estão se apropriando das regras e valores sociais e, portanto, são desprovidas
de preconceitos. Tudo isso fortalece o vínculo, fundamental para o convívio e o
trabalho do educador", explica Priscila.
Receber uma criança com necessidades
especiais não é uma tarefa simples. Há muitas barreiras a serem vencidas. Por
isso, ela sugere que o "professor da escola infantil que recebe um aluno
com necessidades especiais, em primeiro lugar, deve abrir seu coração. Deve
também entender que, como educador, sua função não é de diagnosticar ou tratar
os problemas. É preciso humildade e parceria com outros profissionais: médicos,
psicólogos; fonoaudiólogos; fisioterapeutas; etc. Principalmente, é necessária
uma parceria com a família. A escola não deve trabalhar somente em cima de
cobranças. É preciso um esforço para que a criança se desenvolva plenamente.
Trabalhar os pais das crianças ditas 'normais 'também é um grande desafio.
Reconstruir modelos preestabelecidos, reformular práticas e desenvolver um novo
olhar sobre a educação não é algo fácil".
De forma prática, o educador deve se empenhar
em garantir ao aluno a oportunidade igualitária de aprendizagem, respeitando os
limites que esse aluno especial tem. Preparar o ambiente, confeccionar e
utilizar materiais diferenciados, como colocar guizos em bolas para atender aos
deficientes visuais, falar sempre olhando para um deficiente auditivo e
estimular uma criança com Síndrome de Down a alimentar-se sozinha são ações
práticas que farão grande diferença no dia a dia da criança." O mais
importante: envolver a turma nas ações necessárias para que todas as crianças
tenham iguais oportunidades de aprendizagem e socialização”, finaliza a
pedagoga Priscila.
Professora :
Andrea Machado
AEE Educação Infantil
